Posição dos comunistas sobre a Guerra na Síria


Quando há quatro anos, uma revolta popular em Túnez derrubou a tirania quase vitalício do Presidente Ben Ali, o servo corrupto dos imperialistas franceses, começaram as grandes mídias imperialistas a falar de “a primavera árabe” e especialistas de todo o tipo e particularmente os trotskistas (1) desde a esquerda, começaram a vociferar que se tratava de “uma revolução árabe”. Quando um mês depois, a luta das massas e o exército egípcio, derrotaram o “Rais” Mubarak, se produziram novas revoltas no Iêmen, Bahrein e na Síria começaram os primeiros enfrentamentos.

Em outubro é linchado por “rebeldes líbios” (que logo foram identificados como agentes franceses), o dirigente da Yamahiria Líbia, o Coronel Gaddafi e tropas dos imperialistas ianques ocupam as zonas petroleiras do país, que era então um dos padrões de desenvolvimento e bem estar maior na África, (2) agora convertido em pasto de bandas de assassinos e mercenários a salário das potências.

Não foram poucos os esquerdistas que aplaudiram estas “revoluções” sem entender profundamente as mesmas ou o plano mestre que as projetou.

Em realidade, não aplicam em absoluto uma análise marxista aos acontecimentos e se deixam levar pela imagem que a grande mídia do bloco imperialista da OTAN dava aos acontecimentos.

E é que os autores do plano mestre, foram ninguém menos que os que sustentaram os ditadores como Ben Ali, Hosni Mubarak ou Ali Abdullah Saleh, aos que os muitos anos no poder lhes haviam convertidos em inoperantes corruptos, incapazes de gestionar eficazmente os interesses das metrópoles imperialistas. Outro aspecto, mas oculto, da operação era a destruição do Estado Líbio ou da República Árabe Síria vinculados aos interesses dos imperialistas russos na região e particularmente na Síria, onde há a única base militar russa no mediterrâneo.

Compreender as contradições interimperialistas é ver esses países como cenário de um combate de posição entre eles mesmos, sendo as principais as das superpotências USA/Rússia, mas sem esquecer das potências regionais Israel, Turquia, Arábia Saudita, Síria, Irã, que em meio disto tratam de ampliar seu poder.

Não se pode ocultar hoje, que o início das operações encobertas contra a República Árabe Síria teve o pleno respaldo de potências como França cuja diplomacia e assessores apoiaram o plano desestabilizador e iniciaram o armamento, procedente dos arsenais líbios, da assim chamada oposição.

O regime sírio, do hegemônico partido Baath, respondeu com dureza dando começo a uma cruenta guerra civil com a intervenção de mercenários estrangeiros, muitos iraquianos, nas fileiras do chamado Estado Islâmico ou a Frente Al Nusra.

O claro respaldo, desde o apoio político ao militar de países como Turquia, Arábia Saudita ou Qatar configurou um bloco interessado na destruição do Estado sírio, claramente respaldado por Israel e a OTAN.

A resposta da superpotência russa foi inicialmente discreta, todavia de constante apoio, ao governo do Presidente El Assad. De igual maneira se posicionaram Irã e a China revisionista.

A intervenção direta russa se produziu o passado dia 30 de setembro com uma ampla operação aéreo-naval – iniciando uma ampla campanha de bombardeios sobre as bandas yihadistas, que continua.

Estes são, no meu entender, as principais contradições interimperialistas no cenário sírio.

Uma análise de classe indica que nenhuma das forças em luta – com exceção dos curdos dos cantões fronteiriços com Turquia – representa uma força revolucionária, controlando a cena os regimes tanto da burguesia burocrática ou as odiosas dinastias semifeudais (como Arábia Saudita ou Qatar).

Agora bem, isso significa que como comunistas não devemos tomar uma posição? Claro que não!

Desde já seria ridículo, como fazem alguns, aplaudir a intervenção russa como se fora uma renascida “URSS”, ou o apoio a Sírio dos revisionistas chineses ou ignorar o caráter do regime teocrático criminal, anticomunista do Irã.

Mas é necessário ver que a derrota das forças fascistas, que hoje representam os islamistas da rama que são, por seu obscurantismo e criminal opressão sobre as massas populares, tornou-se em objetivo principal dos povos da Síria, Iraque e Turquia; é uma obrigação dos comunistas, uma obrigação do internacionalismo proletário apoiar a vitório dos povos que abrira um novo cenário político na região.

A destruição do Estado sirio tem que ser feito pelas massas revolucionárias da Síria e Curdistão sul-ocidental, não pelas potências da OTAN, a serviço do inimigo sionista, com seus aliados das monarquias feudais.

Devemos em primeiro lugar, respaldar, como comunistas de forma decidida a revolução e às suas forças no Curdistão Sul-ocidental (cantões de Kobane, e outros) e em segundo lugar às forças sírias que lutam contra as bandas mercenárias a salário dos sionistas e do bloco militarista da OTAN.

E por vez, teremos que denunciar os objetivos do imperialismo russo ou do regime teocrático criminoso do Irã nesta guerra.

Não fazê-lo, enganar as massas, é ocultar a verdade da guerra interposta das potências imperialistas pela repartilha do mundo e suas riquezas e que nela todos os povos perdem.


(1) Lugar destacado no Estado espanhol para o farsante trostkista, Santiago Alba Rico, diretor de Rebelião
(2) Segundo dados estatísticos da ONU.

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